sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Análise: Game of Thrones The Boardgame Second Edition

Adquiri o jogo A Game of Thrones The Boardgame pelo simples fato de gostar muito dos livros e de confiar na qualidade da Fantasy Flight Games.


Nunca joguei a primeira edição e sei que havia desequilíbrio entre as casas, e isto foi corrigido ou minimizado com as expansões. Segundo o anúncio feito pelo fabricante, algumas regras das expansões foram incorporadas no jogo base desta segunda edição.
Minha primeira partida foi em um JogaSampa na Ludus Luderia, e na mesa estavam também o Vitor Brandt (que levou o jogo), Caio Iwasaki, Ronaldo Sugimoto e o De Marchi. O jogo comporta de 3 a 6 jogadores, e nesta primeira vez estávamos em 5.


O Caio explicou as regras e já havia jogado a primeira edição. Foram quase 1 hora de explicação, seguindo os padrões dos jogos da Fantasy:  muitos detalhes com muitos componentes.


Cada jogador assume o papel de uma das casas da excelente obra literária “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin. Após um sorteio, o setup ficou assim:
- Caio: Greyjoy
- De Marchi: Lannister
- Ricardo:  Stark
- Ronaldo: Baratheon
- Vitor: Tyrell


A casa Martell só entra no sorteio com a quantidade de 6 jogadores.
O tabuleiro possui um visual fantástico, só que achei escuro, onde os jogadores podem se confundir no meio da partida. O pessoal na mesa falou que a primeira edição possui o mapa mais claro. Mesmo assim, mantém o padrão de qualidade elevada da FFG.


Os componentes que representam as unidades militares são de plástico nesta edição, sendo que na primeira edição eram de madeira. Também são de ótima qualidade, e minha única crítica é o formato parecido entre eles. Para um jogador desatento, corre o risco de confundir entre as unidades. O navio você não sabe quando está virado (há uma regra especial no jogo para unidades viradas) e até brincamos na partida em deixa-lo na vertical.
As unidades são: Infantaria, Cavalaria, Navio e Máquinas de Cerco.


Ganha o jogo aquele que conseguir dominar 7 regiões que contenham 1 castelo e/ou 1 fortaleza, ou após 10 turnos o jogador que possuir maior quantidade de regiões que contenham 1 castelo e/ou 1 fortaleza.


O turno é dividido em 3 fases:
- fase de Westeros: onde 3 cartas de eventos são viradas e resolvidas imediatamente. Estas cartas recalculam os suprimentos de cada casa, permitem a reunião de tropas e o mais legal do jogo: Clash of Kings. Além disso, fornecem eventos aleatórios (com vantagens e desvantagens) e iniciam a batalha contra as tribos selvagens do Norte, além da Muralha (outra parte do jogo muito interessante).
- fase de Planejamento: cada jogador coloca ações fechadas em cada região que possui unidades. Estas ações podem ser: Movimento, Suporte, Assalto, Defesa ou Consolidação de Poder. Todos os jogadores colocam estas ações em segredo e os tokens são revelados simultaneamente no final da fase de Planejamento.
- fase de Ação: onde as ações planejadas são revolvidas de forma organizada e em ordem de influência: primeiramente o Assalto,  em seguida a Movimentação que pode ou não levar a um Combate (neste caso, as outras ações de Defesa e Suporte são computadas), e por último a Consolidação de Poder.


Clash of Kings
Este é o aspecto que considero mais divertido e decisivo do jogo. E as regras conseguem transmitir toda a intriga política que há nos livros.
Há três trilhas de influência que dão poderes aos jogadores:
- Trono de Ferro: o jogador detentor do Trono de Ferro é o atual regente de Westeros. Seu poder consiste em jogar primeiro, tomar decisões em eventos e o principal: desempatar qualquer jogada que não seja de combate.
- Feudos: o jogador com a maior influência nos feudos possui a Espada de Aço Valiriano. Esta espada concede bônus nos combates e os empates em batalha são decididos a favor da casa que possuir maior influência nesta trilha.
- Corte do Rei: o jogador que possuir maior influência na Corte do Rei terá direito a utilizar mais ações especiais, que melhoram as ações comuns da fase de Planejamento. Além disso, possui o marcador do Corvo, que permite trocar uma ação de seus exércitos após todos revelarem seus marcadores. Ou ele pode enviar o Corvo para a Muralha e ver a próxima carta de batalha contra os selvagens do Norte. Aí escolhe se manterá esta carta no topo ou a coloca para baixo do deck.


Como no livro, é difícil um jogador ser influente nas três trilhas ou manter sua influência máxima em 1 trilha do início ao fim da partida. Os poderes mudam de casa para casa, e as eleições são definidas em votos secretos. Muito legal!


As regras de combate são simples e de fácil assimilação. Outro destaque positivo para esta segunda edição são as cartas de personagens de cada casa. Por exemplo, eu que joguei com os Stark, na minha mão estavam as cartas de Eddard Stark, Robb Stark e Catelyn Stark, entre outros. Cada personagem concede força de combate e habilidades diferentes.


Durante a partida, ficou muito claro a diferença de jogabilidade entre as casas. Os Stark possuem uma terra vasta e extensa para conquistar ao Norte, porém sem suprimentos necessários para manter grandes exércitos. Os Greyjoy são uma ameaça constante para os Stark e os Lannister, e sua força marítima é extremamente superior às outras casas.


Os Baratheon e os Tyrell (sim, o Cavaleiro das Flores estava lá) conseguem expandir com equilíbrio pelo sul, ainda mais com a falta da casa Martell (que só entra em jogo com 6 participantes).
O grande ponto foi a jogabilidade com os Lannister. Situados na região central do mapa, possuem inimigos de todos os lados. Na primeira edição foi a grande decepção do jogo, pois é muito difícil vencer posicionados no meio da ação, sem tempo para conseguir montar um exército forte.


Nesta segunda edição, o De Marchi bem que tentou, mas os Lannister foram massacrados pelos Greyjoy e cercados depois pelos Baratheon e Tyrell. Terminou o jogo somente com 1 território (o De Marchi precisou sair antes do término do jogo devido a um compromisso pessoal), mas a situação dos Lannister estava feia independente da saída prévia.
Tenho curiosidade em jogar com os Lannister para tentar outras estratégias e ver se o jogo novamente veio com desequilíbrio nesta segunda edição.


A partida demorou 4 horas fora a explicação das regras. É um jogo pesado, cheio de detalhes, muito combate, com intriga e reviravoltas. Recomendo para jogadores hardcore acostumados a passar horas na mesa, fritando o cérebro. É o tipo de jogo que eu adoro, e consegue levar os participantes para as intrigas no continente de Westeros. Excelente!


“Quando você joga o jogo dos Tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio termo.”
(Cersei Lannister)

Esta matéria saiu na revista Ludus Magazine 11.





Game of Thrones 2nd Edition
Nota
 Jogabilidade
9
 Ambientação
10
 Tabuleiro
8
 Componentes
8
 Diversão
10
 Nota Redomanet
9,00





8 comentários:

  1. Este jogo só tem importado. Recomendo comprar na Cool Stuff (http://www.coolstuffinc.com).
    Tem muitos grupos aqui no Brasil que já possuem este jogo. É combinar com alguém e experimentar.
    Em São Paulo, há grande chance de você jogar nos eventos do Joga Sampa (http://www.jogasampa.com.br).
    Valeu!!!

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  2. Muito legal o blog, ñ conhecia.

    Eu acabei de receber a minha cópia do AGOT, tive a primeira edição, joguei algumas vezes e acabei vendendo ao saber que sairia a segunda edição.

    Esse jogo realmente é sensacional, ainda mais para fãs dos livros como nós, com certeza o jogo torna-se muito mais interessante para quem já leu os livros.

    Abs

    Jesse James

    http://boardgameszone.blogspot.com.br

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  3. Ricardo, vc poderia me explicar qual eh a finalidade dos portos para essa segunda edição?

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  4. Daniel,
    Criei um post exclusivo sobre as regras dos Portos nesta segunda edição. Espero ter ajudado.

    http://redomanet.blogspot.com.br/2012/05/game-of-thrones-uso-dos-portos.html

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  5. comprei na sexta dia 25/06, joguei no domingo com amigos. Como só haviamos jogado war e banco imobiliario, demoramos para assimilar as regras e aplica-las corretamente. Mas depois de um tempinho ficou tudo claro e divertido. O jogo realmente é denso, e acho q com 6 pessoas fica muito demorado. Mas muito divertido.
    Estou esperando chegar de fora o Arkham e o D&D Lords of Waterdeep.

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  6. Cara, meu amigo comprou o jogo semana passada e mais do que depressa nos reunimos pra jogar. jogamos em cinco tb. mesma coisa. demorado, mta regra, mas um jogo de estratégia sensacional! e digo mais, não é pra qualquer um! haha
    Mas o que quero é contar minha experiência.
    No sorteio, sai com os LANNISTER, e era a primeira vez que jogavamos, entao nao sabiamos realmente qual seria a diferença. Mesmo tendo mta experiência com jogos de estratégia e gostando muito, sofri com eles! hehe
    No início eu fui bem e estava muito forte, mas com o desenrolar do jogo as casas se aproximam do centro e Lannister fica preso levando porrada de todo lado. fui de longe o com mais batalhas... sem uma ou duas aliançar, fica realmente difícil. mas veja bem a reviravolta...
    Me massacraram e fiquei com 3 território apenas, com dois castelos, com bons exércitos, perdendo até mesmo o castelo da minha casa. porém, como o jogo cansa, tive que ter persistência e paciência. Não sendo mais uma ameaça, as casas se degladiaram, e eu apenas organizei meu ataque, peguei meu castelo de volta, e por volta da sétima rodada, com uma boa organização e pensamento estratégico, em um turno dominei 3 castelos, indo de 4 pra 7, e ganhei o jogo! haha me chamaram de fênix de westeros!! haha
    então é sofrido, e tb quero entender melhor como desenvolver o jogo com Lannister na mão. mas eu digo. é possível! haha

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  7. deveria ter os tully ou os frey tbm seria interessante.

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