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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Tabuleiro na Escola com Mário Lúcio

O amigo Mário Lúcio de Belo Horizonte, Minas Gerais, nos conta como está sendo o projeto Oficina de Jogos de Tabuleiro na Escola Municipal Professor Pedro Guerra.


1 - Redomanet: De onde surgiu a ideia de montar uma Oficina de Jogos de Tabuleiro?
Mário: A base foi na própria Escola, através da Diretoria, Silvio e Beth e foi implementada graças ao esforço do Coordenador Stênio Vidal (integrante do Clube do Um). Faz parte do Projeto Escola Integrada, da Prefeitura de Belo Horizonte, que disponibiliza espaço e materiais necessários a realização de diversas oficinas. Neste Projeto os alunos estudam em um turno e no outro frequentam as Oficinas, evitando a ociosidade e tirando-os da rua e de más influências. Pelo que pesquisamos na cidade é a primeira oficina voltada mais para jogos modernos, procurando sair da linha de jogos de trilha e trívias comumente utilizados. O Stênio então me convidou para participar do Projeto e naturalmente o interesse foi imediato. A Diretoria apoia com grande entusiasmo a Oficina e está procurando ajudar de todas as formas para que ela seja um sucesso e possa evoluir. Temos também o envolvimento imprescindível de funcionários e professores o que facilita e reforça muito nossos trabalhos.


2 - Redomanet:  E como foi apresentar a ideia para a escola? Qual escola aderiu a esta oficina?
Mário: O Projeto é realizado na Escola Municipal Professor Pedro Guerra, no Bairro Mantiqueira em Belo Horizonte. Como dito acima, a própria Escola idealizou a Oficina e incentivou a sua criação. A Diretoria é muito atuante e está constantemente envolvida em implementar trabalhos que visem a melhoria da qualidade de vida de toda a comunidade.


3 – Redomanet: Como está a organização desta Oficina? Fale um pouco sobre planos futuros e metas.
Mário: Começamos mesmo da estaca zero. Estou nestes primeiros momentos utilizando meus próprios jogos. Pretendemos a partir de agora montar uma Ludoteca de bom nível na Escola, através de aquisição de produtos e doações, tanto da comunidade quanto de empresas produtoras e outros que desejem colaborar. O que pretendo é trabalhar 3 grupos de jogos: antigos (Mancala e jogos do gênero); Clássicos (tanto os antigos e mais comuns como Gamão e Dominó como os mais utilizados no mercado nacional); e Modernos (tanto nacionais quanto importados: Robin Hood, Dixit, Carcassone, Descobridores de Catan e muitos outros). A ideia é que a Ludoteca possa suprir o desejo dos usuários ao disponibilizar jogos dos mais variados estilos. Outra pretensão que temos é que os participantes da Oficina possam fazer seus próprios jogos. Além de jogos fáceis de produzir como a Mancala, por exemplo, estamos trabalhando muito para catalogar e separar jogos "print-and-play" que possam ser utilizados. Aliado a tudo isto está o fator educacional. Sempre que um jogo é apresentado aproveito para passar aos alunos informações sobre o jogo ou sobre algum aspecto que possa ser trabalhado. Assim, o jogo de Mancala foi apresentado a eles juntamente com um informativo sobre a história do jogo, explicando suas origens, os lugares onde é mais praticado e várias outras informações. Com isso esperamos obter sempre uma ampla abertura para debates, procurando sempre adequar a experiência lúdica que eles tiveram à realidade. E estaremos sempre promovendo torneios e campeonatos com os participantes. Estamos estudando parcerias com fornecedoras de jogos para recebermos exemplares. Assim poderemos repassar as experiências obtidas de forma bem concreta e no futuro, caso o Projeto atinja toda a Rede Municipal, pode existir um bom retorno para as empresas patrocinadoras.


4 – Redomanet: Conte um pouco como foi a reação dos alunos e quais jogos eles gostaram.
Mário: Até o momento o que fez mais sucesso foi o Robin Hood. A garotada adorou a parte de blefar e tentar negociar com o Xerife. Este jogo possui esta característica de interação que traz muito proveito, faz com que os alunos desenvolvam suas capacidades de argumentação. Outra característica importante é que ele pode ser muito bem aproveitado quando se faz um debate pós-jogo. Então os temas como honestidade, vantagem, legal e ilegal, são discutidos por todos e conseguimos passar aos alunos muitos conceitos importantes de uma forma bem divertida. Dixit e Carcassone também fizeram sucesso, além da Mancala.

5 – Redomanet: O que as outras escolas da região que gostarem desta ideia devem fazer para implantar uma Oficina de Jogos de Tabuleiro?
Mário: Em minha pesquisa inicial concluí que uma das maiores dificuldades é a formação de uma Ludoteca atraente e que atenda tanto do ponto de vista educativo quanto de entretenimento. Com esta primeira Oficina, esperamos colher dados suficientes para que possamos elaborar uma Ludoteca funcional, que atenda aos objetivos pretendidos, com os recursos disponíveis. Se obtivermos sucesso nesta questão então poderemos partir para o próximo passo. O que pretendemos de uma forma mais ampla é transformar esta Oficina em uma referência no setor educacional da cidade. Alcançado este objetivo certamente obteremos apoio para começar a multiplicar o projeto e implantá-lo em outras unidades, treinando monitores e professores e repassando as experiências que teremos nesta fase inicial e quem sabe implantá-lo em todas as Escolas da Rede.

6 – Redomanet: Existe um cadastro ou inscrição para outros voluntários que gostariam de participar deste projeto?
Mário: O Projeto Escola Integrada trabalha atualmente com centenas de monitores nas mais diversas áreas, através de parceria com a AMAS (Associação Municipal de Assistência Social) e diversas outras entidades que apoiam as iniciativas. No momento as inscrições estão fechadas pela proximidade das Eleições, mas após o período legal acreditamos que sejam realizadas novas contratações. Em nossa Escola temos, além da Oficina de Jogos de Tabuleiro, as Oficinas de Xadrez, Capoeira, Bombeiro Mirim, Esportes e Informática. Não conseguimos preencher as vagas para música, teatro e artes, mas seguramente são áreas que pretendemos implementar no próximo ano, oferecendo ainda mais opções e atrativos para que os estudantes frequentem as Oficinas.



Para as editoras de jogos que desejam participar deste projeto em Belo Horizonte, entrar em contato com o Mário Lúcio pelo Facebook: http://www.facebook.com/mariolucio.zico

Obrigado Mário pela entrevista e conte sempre conosco para divulgação de seu trabalho.

Valeu!!!

Link para o blog da Escola Municipal Professor Pedro Guerra:

Em Agosto de 2011, a Escola Municipal Professor Pedro Guerra foi homenageada na Câmara Municipal de Belo Horizonte pelos serviços prestados à comunidade, no aniversário de seus 30 anos.

domingo, 15 de abril de 2012

Papo descolado com o Descolado

O Redomanet bateu um papo com um dos maiores especialistas do jogo Tide of Iron no Brasil. Tradutor para o português de manuais e cartas de vários jogos, e ícone para os jogadores brasileiros: Ismael, o famoso “Descolado”, autor de resenhas muito bem escritas no site Ilha do Tabuleiro e dono do site www.tideofironbrasil.xpg.com.br.


1 - Redomanet: Como começou sua paixão por jogos e qual foi seu primeiro jogo de tabuleiro moderno?

Eu já gostava de jogos quando era criança mas nunca fui fanático (adorava o Ludo, Banco Imobiliário e War). A paixão por jogos modernos veio do meu apreço por Jogos de Estratégia no PC, principalmente Civilization e a série Commandos. Meu primeiro jogo moderno foi o Axis & Allies Revised (por causa da semelhança com o War e também pelas miniaturas).

2 - Redomanet: Além do Tide of Iron, quais são seus jogos prediletos?

Meus preferidos são jogos grandões, cheio de cartas, tokens e miniaturas. É até engraçado dizer que tenho como prediletos jogos como FURY OF DRACULA, DESCENT e GEARS OF WAR sendo que joguei muito pouco esses jogos (preguiça pura, pois adversários até que não faltam aqui em Curitiba). Mas não posso deixar de destacar o PANDEMIC (pequeno, rápido, sem miniaturas), um jogo simplesmente apaixonante!

3 - Redomanet: De onde veio a ideia e como foi planejar e desenvolver o site www.tideofironbrasil.xpg.com.br?

Eu estava sem trabalho em 2009 e queria me voltar para o mercado de desenvolvimento de websites. Então pensei "vamos tentar criar um website para ver o que sai, mas tem que ser um tema que eu goste". Como eu era fã do TIDE OF IRON, bastou juntar a fome com a vontade de comer [risos]. A ideia inicial era implementar um "fórum" no site de forma a permitir que os visitantes postassem ideias, opiniões e quem sabe até troca de informações sobre o jogo, mas criar isso exigiria hospedagem paga (a hospedagem do site XPG é gratuita) e no fim acabei deixando apenas o website.

4 - Redomanet: Vi que o site possui um material excelente também para as expansões Days of the Fox e Normandy. Há previsão de disponibilizar material para a expansão Fury of the Bear?

Eu comecei a criar um site para o FURY OF BEAR porém percebi que seria mais interessante focar no novo site do TIDE OF IRON, deixando para falar da expansão justamente neste novo website. FURY OF BEAR é uma expansão que precisa urgente de uma página na internet. Não por suas qualidades mas sim pela incrível quantidade de DEFEITOS que esta expansão tem [risos].

5 - Redomanet: Quais são os planos para o site www.tideofironbrasil.xpg.com.br?

Uma reformulação total! Eu nunca gostei muito da cara do site [risos], sempre o achei meio "amador" (apesar das pessoas acharem que o trabalho ficou legal). Acho que nunca gostei pela falta de mais animações em FLASH, algo essencial para tornar um site mais atrativo. Também há o problema das expansões, que estão apresentadas como se fossem "websites próprios" (tudo com a intenção de aprender a criar websites) porém "engessadas" ao TIDE OF IRON.
A ideia é criar um site novo e juntar todas as informações das expansões no mesmo lugar sem que o visitante precise explorar todo o site para ver tudo o que o TIDE OF IRON tem a oferecer. Hoje, da forma como está, é super fácil o usuário "passar batido" pelas demais expansões sem conhecer todo o potencial do jogo.
No novo website, ao citar informações sobre uma unidade, ao lado dela eu posso mostrar também as informações de todas as demais unidades daquele tipo nas demais expansões, sem que o usuário precise "navegar" até outra página para conhecê-la. Dessa forma o usuário pode exclamar "- Não acredito, esse jogo tem Shermans, Tigers, Matildas e até Flak Guns?"

6 - Redomanet: Os manuais e cartas traduzidos por você respeitam a diagramação e as imagens oficiais do jogo, sendo itens obrigatórios para qualquer um que importe os produtos de fora e queiram facilitar o jogo para amigos ou parentes que não tenham influência no inglês. Suas traduções de manuais e cartas possuem uma qualidade altíssima. Quais são os softwares utilizados, como é o planejamento e a duração média destas traduções?

Essa "qualidade altíssima' é por sua conta [risos]. É difícil mensurar o tempo que levei para traduzir o manual porque eu não o fazia todos os dias e quando traduzia, gastava no máximo umas 2 horas do meu tempo. Foi super complicado porque era o primeiro manual que eu traduzi na minha vida e apesar da certa facilidade no inglês (nunca fiz curso mas trabalho com informática a 20 anos), o jogo é bem complexo e possui alguns jargões militares que eu não estava acostumado. Termos como "pinned", "disrupted", "routed" e "supressed fire" não tem tradução direta, tive muita ajuda do pessoal da Ilha do Tabuleiro.

Mas ficou legal sim, eu procurei ser super fiel ao jogo original (tanto no manual quanto nas cartas) porque queria mesmo passar a sensação de que o jogo foi fabricado no Brasil, tudo para "trazer" os jogadores casuais para dentro do jogo da maneira mais forte possível.

As ferramentas que usei sempre foram um programa que converte de PDF para WORD chamado "PDF Converter" (não funciona sempre mas quando converte, é perfeito), e o CORELPHOTOPAINT, porém recentemente tenho usado mais o PHOTOSHOP. Não conheço muito dele, mas quebra o galho.
As traduções ficam por conta do bom e velho GOOGLE TRANSLATE e do BABYLON online.


7 - Redomanet: Fale um pouco sobre você e como você enxerga o momento atual e o futuro do mercado brasileiro de jogos de tabuleiro.

Eu me chamo Ismael, faço 40 anos agora em Abril, sou formado e trabalho como Analista de Sistemas. No ramo de informática a mais de 20 anos, sempre curti jogos de computador e video-games, razão que me levou a gostar também de jogos de tabuleiro (mas longe de ser fanático). A grosso modo, jogos de tabuleiro são como jogos de video-game, porém quem precisa gerenciar as regras somos nós e não o computador.
Não sou especialista no assunto, mas em minha opinião o mercado nacional de jogos de tabuleiro sempre foi uma 'lástima", por assim dizer. Prova disso sempre foi o fato de jogos como WAR e BANCO IMOBILIÁRIO estarem a mais de 30 anos no mercado apenas "mudando de cara" (e de preço) e ainda reinarem absolutos como líderes de venda. Nunca entendi porque passamos tanto tempo estagnados, mas entendi que esse tempo todo de estagnação serviu apenas para uma coisa: Deixar o jogador de tabuleiro brasileiro com "preguiça de pensar" [risos]. Prova disso é o fato que sempre vi pessoas comprando WAR 2 porém jogando com as regras do WAR 1 por pura preguiça de saber como manusear os "aviõeszinhos", achando que são muito "complicados" de usar.

Como convencer um jogador destes a encarar um jogo estrangeiro, com suas toneladas de regras e tomadas de decisão? É óbvio que muitos correriam de susto apenas em ver a quantidade de peças que possui um jogo como AXIS & ALLIES por exemplo. O mercado nacional sempre teve como foco os jogos que envolvem muito o fator sorte, com a “honorável" desculpa de que podem ser jogados por pessoas com faixa etário entre 5 e 100 anos.

Hoje as coisas estão mudando. A Hasbro trouxe um pouco mais de pimenta para o mercado nacional e já fez nosso mercado começar a se mexer. Prova disso é o fato da GROW ter trazido lá de fora jogos como COLORETTO e COLONIZADORES DE CATAN, algo simplesmente impensável a alguns anos atrás.
Mas há diversos outros jogos novos que estão pipocando por aí e que infelizmente não conheço, mas já ouvi muitos comentários, tais como RECICLE, ISLA DOURADA, CITADELS, VALE DOS MONSTROS...
Parece que finalmente o mercado nacional começa a despertar deste sono de 30 anos e sinceramente espero que não pare. O futuro parece promissor e quem sabe um dia não veremos numa prateleira de uma loja uma caixa imensa de um jogo de guerra chamado MARÉ DE FERRO.

Abração meu caro!
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